Os 12 erros da Execução Estratégica
Muitos negócios não fracassam por falta de ideias, mas por erros na execução estratégica.

A seguir, compartilho os 12 erros mais comuns da execução estratégica, com uma explicação simples de cada um e provocações práticas para você avaliar sua realidade.
1. Perder tempo discutindo Missão.
Missão significa a definição do negócio. Muitas vezes, isso só fica 100% claro depois de empreender, aprender, e tudo bem. No início, assegure apenas que existe uma dor clara que você pode resolver de forma consistente.
2. Perder tempo discutindo Visão.
Visão significa sua meta: aonde quer (e realisticamente pode) chegar. No começo do plano, talvez você não saiba, e tudo bem. Vá ajustando a visão à medida que o negócio provar tração e o time amadurecer.
3. Confundir intenção ou desejo com estratégia.
Verbos como “Lucrar”, “Conquistar” ou “Vender mais” representam desejos, não estratégias. Apenas atrapalham e confundem. Estratégia é outra coisa, veja adiante.
4. Estabelecer metas de crescimento.
Crescer, por si só, é irrelevante como meta, até porque existem muitas formas de progredir sem vender mais do mesmo. Ampliar valor, introduzir tecnologia, avançar via verticalização, buscar territórios distintos, diversificar negócios, mudar o mix de clientes ou de canais… são caminhos de progresso. Que podem se tornar boas estratégias, se contribuírem para uma vantagem competitiva sustentável. Em resumo, crescer é um verbo inútil.
5. Não entender que estratégia é um novo caminho.
Estratégia é um jeito diferente de competir, que leva a novos mercados, novos clientes ou novas dores resolvidas. Sem mudança relevante de processo, custo, produto, território ou tecnologia, não existe estratégia — existe continuidade do que já vinha sendo feito. Estratégia traz um delta de vantagem competitiva, difícil de imitar, pelo menos por algum tempo.
6. Não entender que qualquer estratégia é um teste.
Toda estratégia é uma hipótese sobre como vencer. Ela requer aprendizado e sempre vai demandar algum ajuste. Quanto mais rápido você testar, medir e corrigir, menor o desperdício de tempo, dinheiro e gente.








"Toda estratégia é uma hipótese. Se você demora a testar, só está aumentando o custo do seu erro."
7. Não organizar a Execução Estratégica em Programas e Projetos.
Essa arquitetura de execução é o que permite alocar e gerir recursos (tempo, gente e dinheiro) de forma eficiente. Sem essa estrutura, tudo vira “prioridade” e a Governança (controle da delegação) torna-se impossível.
8. Não criar uma cultura de coragem e comunicação de problemas.
O brasileiro tem uma cultura de otimismo. Falar de riscos não é bem-vindo. Todo mundo sabe disso e o medo natural das pessoas de parecer “negativa” leva ao bloqueio na hora de falar de riscos e problemas. Sem coragem para levar estes assuntos para cima, expor erros e pedir ajuda, os problemas só crescem e explodem tarde demais.
9. Não criar uma cultura de ética.
Quando contratações, promoções e decisões críticas são motivadas por favoritismo, afinidade pessoal ou interesses ocultos, a organização se desvia da estratégia. Sem ética, as pessoas gastam energia para agradar pessoas, não para entregar resultados. Ética não significa ambiente de aparente amizade ou empatia, não confundir.
10. Acreditar que “todo mundo já entendeu a estratégia”.
O Chefe já explicou a estratégia? Isso não significa que a organização entendeu. As pessoas precisam se enxergar no Mapa Estratégico (não no Organograma) e entender até onde seu trabalho contribui para a estratégia e quando uma colaboração transversal (com o colega do outro lado) será necessária.
11. Não comunicar a execução estratégica ao longo do caminho
Não existe “dar errado” no caminho da Execução. Existe aprender, avaliar, e discutir em grupo para entender. Todos precisam entender o rumo da Execução, para detectar desvios e reagir. Reagir rápido, mas com dados. Nem todo desvio é ruim, muitos são oportunidades. Essas oportunidades podem se tornar “Estratégias Emergentes”, conforme Henry Mintzberg descreveu.
12. Não criar um sistema de decisões estratégicas colegiadas.
Decisões baseadas apenas em “cabeça de dono” desorganizam a Execução. Sem um Fórum Decisório plenamente informado e com autoridade para revisar decisões, haverá perda de tempo, dinheiro e motivação. Esse Fórum (um Comitê Consultivo e/ou Estratégico) precisa reunir gestores internos de dois ou três níveis e algum especialista de fora da empresa.
